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27 de Novembro de 2020

A Relação entre Auditor e Cliente de auditoria

Aplicando a técnica de entrevista e questionário de forma efetiva.

Bruno Cabral, Auditor
Publicado por Bruno Cabral
há 4 anos

I. INTRODUÇÃO

Os questionários ou entrevistas, atualmente, vêm ganhando importância e urgência na utilização de procedimentos de auditoria a fim de obter sustentação nas evidências de auditoria. Acontece que os procedimentos têm sido aplicados sem um roteiro claro sobre a efetividade[1] de cada ação auditorial. Pois, as técnicas devem ser avaliadas pelo rendimento e o alcance para cada auditoria. E o teste substantivo da entrevista ou questionário leva em conta o grau da relação entre auditor e o cliente de auditoria, já que o desenvolvimento e a aplicação desta técnica requer perícia, habilidade e feedback[2] efetivo. Desta forma, desenvolve-se a comunicação e sendo primordial que a informação e dados constantes na entrevista e questionário sejam bem elaborados pelo auditor e conhecido pelo cliente de auditoria.

O conhecimento das atividades para cada ação de auditoria deve ser explícito nas ações de desenvolvimento e aplicação do teste substantivo por parte do auditor e propiciando para que os atores respondentes tenham certeza das questões e não serem redigidas de forma dúbia, inconsistentes e agressivas. Portanto, a relação humana e ética é iminente para que se consiga atingir os objetivos da auditoria de modo efetivo.

Sendo assim, a Norma Brasileira de Contabilidade Técnica de Auditoria Interna – NBC TI 01 em relação às normas de execução item 12.2.3 que versa sobre os procedimentos de auditoria interna destaca que a investigação e confirmação obtêm-se informações em relação a pessoas físicas ou jurídicas dentro e fora da entidade. Por isso, os questionários e entrevistas são informações obtidas que asseguram de forma razoável que as atividades, controles internos e processos existam e se existem estão em efetividade.

Segundo Bourdieu (2008) enxerta que a comunicação não violenta primeiramente tenta saber o que se faz quando se inicia uma relação de entrevista e desvelando os efeitos que se pode produzir sem saber que a intrusão[3] sempre arbitrária se baseia pela troca.

Na regra do jogo entre pesquisador e pesquisado ou entrevistador entrevistado, de acordo com Bourdieu (2008, p. 695):

É o pesquisador que inicia o jogo e estabelece a regra do jogo, é ele qúem, geralmente, atribui à entrevista, de maneira unilateral e sem negociação prévia, os objetivos e hábitos, às vezes mal determinados, ao menos para o pesquisado. Esta dissimetria é redobrada por uma dissimetria social todas as vezes que o pesquisador ocupa uma posição superior ao pesquisado na hierarquia das diferentes espécies de capital, especialmente do capital cultural. O mercado dos bens lingüísticos e simbólicos que se institui por ocasião da entrevista varia em sua estrutura segundo a relação objetiva entre o pesquisador e o pesquisado ou, o que dá no mesmo, entre todos os tipos de capitais, em particular os lingüísticos, dos quais estão dotados.

Destarte o propósito deste artigo é trazer elementos objetivos que sugira a efetividade no desenvolvimento e aplicação das entrevistas e questionários auditorial. Assim, destacam-se dois objetivos quer sejam: primeiramente analisar a assimetria no desenvolvimento do questionário e entrevista de forma efetiva e segundamente através da revisão bibliográfica propor um modelo empírico desta técnica de modo a trazer o alcance dos objetivos.

Delineia-se a principal justificativa na realização deste artigo que a importância e urgência na discussão de um modelo e a sua aplicação de modo a buscar efetividade e lograr sucesso nas auditorias. Assim, os recursos humanos e como materiais devem ser geridos de forma a rentabilizar sua disponibilidade trazendo efetividade para as auditorias para que evite trazer riscos e prejuízos no decorrer dos resultados em relação ao escopo auditorial.

O trabalho traz a temática para disseminar boas práticas de auditoria no uso das técnicas de observância que ensejem no apoio e sustentação as evidências dos testes substantivos. Os dados captados das pesquisas e entrevistas devem ser objetivos de modo a fornecer subsídio complementar aos exames de controles internos, processos e atividades. No eixo da pesquisa está à eficiência[4] e eficácia[5] da aplicação deste procedimento que está ligado em primeiro plano que o auditor deve conhecer primeiro as atividades, processos e controles internos e de segundo plano conhecer o perfil profissional do entrevistado ou questionado para que seja atingido o fim da efetividade naquela ação auditorial. Assim, oferecendo asseguração de que as atividades estão sendo realizadas de acordo com os objetivos da instituição.

O seu desenvolvimento está basicamente atrelado em um tripé de pesquisa em: as relações humanas, ética e o desenvolvimento e aplicação das questões objetivas. Tornando a problemática da pesquisa como a maximização da relação do auditor e cliente de auditoria no uso do questionário e entrevista pode ensejar num melhor desenvolvimento e aplicação trazendo benefícios às evidências de cada ação auditorial. Por fim, tem o cunho de trazer a comunidade acadêmica um novo olhar e discussão sobre as práticas, procedimentos e técnicas de auditoria para que forneçam sempre maior rendimento e atingimento dos objetivos de cada ação de auditoria.

II. PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS

O presente trabalho cientificamente utiliza uma tipificação de pesquisa exploratória. Para Lakatos e Marconi esta é uma análise de trabalho e pesquisas documentais procurando conhecer e interpretar a prática efetiva descrevendo métodos e metodologias.

Assim, a auditoria interna tanto quanto externa traz em seu âmago técnicas que tem como casoconcreto obter evidência para aportar suas recomendações de maneira efetiva. E, atualmente tem merecido destaque que a auditoria passa por mudanças significativas no campo da convergência internacional de normas como, COSO II, IIA e NAG. Deste modo, as aplicações de técnicas substantivas mudaram nas mesmas proporções que se propõem. O grau de atingimento está no modo de como se conduz as técnicas e mais precisamente o questionário de modo objetivo tendo conhecimento prévio, ético e humano das relações.

Nesta esteira, considera-se que são complementares os dois tipos de auditoria, em que o proceder metodológico aborda também os conceitos objetivos do entrevistador e entrevistado. Além do que, os elementos que devem ser abordados e conduzidos no trato das relações dentro da entrevista serão retratados também. Por fim, fora verificado, exemplo na prática de questionários e perguntas objetivas com conhecimento prévio, ético e humanizado nas relações entre auditor cliente de auditoria.

III. PRÁTICA E MODELO EFETIVO NA ABORDAGEM ENTRE ENTREVISTADOR E ENTREVISTADO

A maioria das técnicas de auditoria introduz divergências no modus operandi[6] de realizar entrevistas e ou questionários. A dicotomia na aplicação do modelo de questionário e o nível de maturação dos questionamentos trazem um conceito sistemático e conhecimento prévio sobre o objetivo do questionário atrelado para a eficiência e eficácia do processo investigatório na satisfação da asseguração e aporte de evidências.

O questionário tem o objetivo em traduzir de modo claro, tempestivo e objetivo o fim que se pretende estudar sobre determinado prisma e assunto. Assim, favorece a disseminação de uma cultura de produção de questionários baseado nas relações humanas e no conhecimento real entre o entrevistador e entrevistado. Conforme Bourdieu (2008, p.695) as relações de entrevista devem ter esforços para fazer de tudo o possível para dominar os seus efeitos que não pretende anular e sim reduzir no máximo a violência simbólica que se exerce através dele. Procuramos meandrar como Bourdieu (2008, p.695) preleciona de instaurar uma relação de escuta ativa e metódica, de afastar em relação à entrevista não dirigida, o dirigismo.

Não é tão difícil termos a percepção na aplicabilidade de questionários sem fundamentação, objetividade e relações humanizadas com conhecimentos prévios e do perfil profissional de quem é entrevistado. As perguntas quase sempre impositivas, absurdas, arbitrárias que são realizadas na prática em algumas auditorias colocam a sua eficiência e eficácia a perder. Para Bourdieu (2008, p.696):

por exemplo, quando um pesquisador continuando a ser tanto atencioso quanto atento, pergunta à queimaroupa a um operário metalúrgico, que acabava de lhe dizer quanta sorte ele teve de ficar toda sua vida na mesma oficina, se ele, "pessoalmente", estava, "prestes a partir de Longwy", e ele obtém, depois de passado o primeiro momento de franca surpresa, uma resposta delicada do tipo daquelas que o pesquisador e o codificador apressado dos institutos de pesquisa registrarão como uma aquiescência; "Agora [tom de surpresa]? Para quê? Partir... Eu não vejo a utilidade... Não, eu não creio que eu deixarei Longwy...

Essa idéia ainda não tinha me passado pela cabeça... Além disso minha mulher ainda trabalha. Isso pode ser um freio... Mas deixar Longwy... Eu não sei, pode ser, por que não?.. Um dia... Eu não sei não... Mas eu não penso nisso agora. Eu ainda não pensei nisso porque eu estou... Eu não sei, porque não [risos], eu não sei, nunca se sabe...

Torna-se factível que a ideia de entrevistar um entrevistado sem conhecimento prévio e sem sequer uma relação humana de conhecimento e afinidade naquilo que será in loco[7] entrevistado coloca tudo na ineficiência e ineficácia da abordagem da entrevista. Não podemos desprezar elementos guiados e pautados em normas do IIA como, zelo profissional devido que busca exemplificar a prudência e competência. Como também zelar pela ética nas relações humanos entre auditor e cliente de auditoria. A ética é elemento entranhado na personalidade do auditor que sempre será pautado pelo que está posto a mesa e a vista. Já os valores são quando não são postos à vista, mas o auditor carrega em si e realiza suas tarefas sem mesmo que alguém esteja enxergando suas funções. Desalinhar o novelo entre o liame da ética e valor não é a ideia deste artigo e sim trazer à tona que as relações humanas na condução das técnicas de auditoria como o questionário é plausível e necessário para a obtenção da tão esperada eficiência e eficácia desta ação.

Ainda sobre a abordagem das relações humanas dentro do campo social do entrevistador e entrevistado trazemos à baila como espécie de traduzir os meandros da objetividade que repousa sobre questionários e questionamentos bem elaborados. Para Bourdieu (2008, p.697) ele traduz a ação e decisão em um ensaio como:

Tomou-se por isso a decisão de deixar aos pesquisadores a liberdade de escolher os pesquisados entre pessoas conhecidas ou pessoas às quais eles pudessem ser apresentados pelas pessoas conhecidas. A proximidade social e a familiaridade asseguram efetivamente duas das condições principais de uma comunicação" não violenta ". De um lado, quando o interrogador está socialmente muito próximo daquele que ele interroga, ele lhe dá, por sua permutabilidade com ele, garantias contra a ameaça de ver suas razões subjetivas reduzidas a causas objetivas; suas escolhas vividas como livres, reduzidas aos determinismos objetivos revelados pela análise. Por outro lado, encontra-se também assegurado neste caso um acordo imediato e continuamente confirmado sobre os pressupostos concernentes aos conteúdos e às formas da comunicação: esse acordo se afirma na emissão apropriada, sempre difícil de ser produzida de maneira consciente e intencional, de todos os sinais não verbais, coordenados com os sinais verbais, que indicam quer como tal o qual enunciado deve ser interpretado, quer como ele foi interpretado pelo interlocutor.

Para Bourdieu (2008, p.699) ele retrata um liame de distância social como um exercício espiritual como vemos a seguir:

O sociólogo pode obter do pesquisado mais distanciado de si socialmente que ele se sinta legitimado a ser o que ele é se ele sabe se manifestar, pelo tom e especialmente pelo conteúdo de suas perguntas as quais, sem fingir anular a distância social que o separa de si (diferente da visão populista que tem como ponto cego seu próprio ponto de vista), ele é capaz de se colocar em seu lugar em pensamento.

Conforme as Normas de Auditoria Governamental – NAG (2010, p.31):

Os trabalhos de auditoria governamental, em face da sua amplitude, devem ser desenvolvidos por equipes multi-interdisciplinares nas mais diversas áreas do conhecimento, como: Administração, Atuariais, Contabilidade, Direito, Economia, Engenharia, Estatística, Pedagogia, Saúde, e Sociologia.

Entende-se por competência o conjunto das experiências, dos conhecimentos técnicos, das habilidades e das atitudes necessários para que o profissional de auditoria governamental possa cumprir com suas responsabilidades com eficiência e eficácia.

3102.4 – Conhecer e utilizar os fundamentos, princípios, normas e técnicas da Administração Pública.

3603 – O bom relacionamento almejado com o jurisdicionado deve ser alcançado por meio do comportamento e do exemplo pessoal, os quais devem ser aperfeiçoados ao longo da carreira, por intermédio de palestras e seminários periódicos, no sentido de esclarecer ao profissional de auditoria governamental a função, os objetivos, a forma de atuação e o desejo de cooperação com os auditados, bem como pode contribuir para a melhoria do trabalho destes e como o jurisdicionado pode servir ao trabalho do profissional de auditoria governamental.

Por isso, o alcance do bom desenvolvimento e aplicação dos questionários ou entrevistas necessita que o auditor e cliente de auditoria estejam conhecidos. E esta relação seja estabelecida de forma confiante mutuamente, pois é necessário que o auditor não só aparente como também saiba das atividades, rotinas e processos que o cliente de auditoria realize. Quando não há confiança ou relação estreita entre o entrevistador e entrevistado qualquer redação e aplicação de questões podem ensejar na agressão realizada pelo auditor dando margem para que não se consiga atingir seu fim pretendido.

Por outro lado, verifica-se que a visão multidisciplinar é primordial ao alcance de questões bem formuladas e objetivas ocasionando a extração de dados que serão utilizados ao apoio das evidências. Vale o resgaste da Norma de Auditoria Governamental para subsidiar que a visão multidisciplinar é necessária para que as competências e as experiências alcancem o fim almejado de cada ação auditorial.

Fica cristalino no decorrer da ciência social aplicada nas pesquisas que corroboram as demais áreas que a ação de realizar questionário objetivo, eficiente e eficaz não é necessária transformar-se numa objetivação que engessa todo o trabalho construído na análise dos dados extraídos.

É neste cenário que traduzimos alguns questionamentos objetivos testados e comprovados que nos enxertam de dados objetivos e um grau de afinidade entre o entrevistado e entrevistador conforme a seguir:

1) Quais são as unidades interessadas no processo/tarefa?

2) Quais são as metas do processo/tarefa?

3) Qual volume, quantidade e ou frequência realizada por semana neste

(a) processo/tarefa?

4) Quais são os indicadores de desempenho utilizado neste processo/tarefa?

5) Existe manual de procedimentos e definição das tarefas escrito/formalizado?

6) Elenque os pontos fortes e fracos da unidade?

IV. DISCUSSÃO DOS RESULTADOS

V. CONCLUSÃO

O roteiro e definição das perguntas em um questionário é pacífica quando desenhamos estas num modelo amigo/amigo entre o entrevistado e entrevistador. Quando a figura do auditor e cliente de auditoria sofre uma imagem entre o liame separador social entre aquele que colhe informações e aquele que dá informações. Empiricamente comprávamos que questionamentos objetivos são mais eficientes e eficazes quando não tratados de forma totalitária e objetivada. Que o auditor deve manter relações humanas, polidas, tempestivas, explicativas e exemplificativas quebrando assim o tom pesado que permeia e paira sobre quando do encaminhamento do questionário ao questionado.

Desnudamos e argumentamos baseados em dados científicos e empíricos para fortalecer os critérios utilizados nesta pesquisa. E, as considerações aqui laboradas nos restam demonstradas que a eficiência e eficácia das relações sociais é que devamos quebrar o “tom” de imposição da regra do jogo. Pois, é uma relação mútua de troca e confiança entre o auditor e o cliente de auditoria. Merece destaque nos questionamentos objetivos para não implicar em imposição quando redigido de maneira subjetiva o questionário.

Além disso, as auditorias devem obter estreito relacionamento de confiança e respeito mútuo considerando que não se deve esgotar o uso da dialética no campo da demonstração dos objetivos, escopos, técnicas e questionários que serão utilizados na unidade auditada. Os experimentos empíricos pelas auditorias no Brasil têm demonstrado que a relação de confiança é realizada diuturnamente e sendo perseguidas como meio de resolução das tratativas em vez da coerção.

Por fim, destacamos que a eficiência e eficácia está intimamente ligada ao liame do conhecimento da figura similar entre o cliente de auditoria e auditor e que isso pode também trazer alguns impactos que deverão ser eliminados no transcorrer das aplicabilidades dos questionários como, o desafio de vencer a monotonia e o marasmo de questionar quando o questionamento rompe a barreira da dualidade entre o igual e igualitário. E, assim estamos certos que o desejo e ideal contido na satisfação da eficiência e eficácia está nas relações humanas e no poder da dialética impregnado tanto no questionário quanto nas ações diárias da unidade de auditoria.

VI. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

Bourdieu, Pierre. A miséria do mundo. 7 ed. – Petrópolis, RJ: Vozes, 2008.

COSO II. Committee of Sponsoring Organizations of the Treadway Commission. Disponível em: http://www.coso.org/documents/coso_erm_executivesummary_portuguese.pdfAcesso>; em 14/01/2016.

IIA. The Institute of Internal Auditors. Normas internacionais para a prática profissional de auditoria interna. 2012. Disponível em: < https://na.theiia.org/standardsguidance/Public%20Documents/IPPF%202013%20Portuguese.p df> Acesso em 14/01/2016.

NAG. Controle Externo Brasileiro. Normas de Auditoria Governamental. Disponível em: http://www.controlepublico.org.br/files/Proposta-de-Anteprojeto-NAGs_24-11.pdf acesso em: 14/01/2016.

Silva, da Lopes Regina Andreza. Auditoria uma ferramenta social.

http://www.portaleducacao.com.br/educacao/artigos/3841/auditoria-uma- ferramenta-social. Acesso em: 14/01/2016. Acesso em: 14/01/2016


[1] É a capacidade do auditor atingir um efeito de forma real e impactante; e

[2] É o retorno efetivo da informação que cause impacto positivo nos testes.

[3] Os efeitos e influências produzidas pelo jornalismo sobre um campo ou outros campos de pesquisa, que dê certo fazem perder parte da sua autonomia.

[4] Custo-benefício; e

[5] Produzir efeito ou atingir a meta.

[6] Modo de operação.

[7] No local.

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